Educação sobre ovos

Biosseguridade na Granja Santa Joana: Como protegemos as nossas aves para proteger a sua família

Autor

Granja Santa Joana

Data de Publicação

Tempo de Leitura

11 minutos

1. Introdução

A biossegurança é um conjunto de medidas que, se bem aplicadas, ajudam a prevenir, controlar e eliminar doenças em aves, beneficiando não só esses animais, mas também a saúde das pessoas que consomem seus ovos e carnes. Ao proteger as aves, a família de quem mantém a granja é resguardada, contribuindo para a saúde e bem-estar da comunidade. Apesar de seu propósito nobre, a implementação da biossegurança é um desafio, exigindo dedicação de tempo e recursos. Neste contexto, a Granja Santa Joana, localizada nas proximidades de Santa Izabel do Pará, Pará, tem se dedicado a garantir a saúde de suas aves e, consequentemente, a de seus clientes. Esse empenho é demonstrado pela aplicação prática dos princípios fundamentais da biossegurança: prevenção, contenção, eliminação, responsabilidade compartilhada.

Para toda granja, a adoção de medidas de biossegurança é desafiadora, mas especialmente para a Granja Santa Joana, que funciona com base no sistema free-range. Nesse sistema, as aves têm acesso à área externa, onde podem expressar naturalmente seu comportamento. Entretanto, esse acesso é acompanhado de riscos sanitários, uma vez que as aves estão expostas a outros animais que podem ser portadores de patógenos. Esses patógenos, se adquiridos pelas aves, podem causar doenças e até mesmo levar à morte, além de comprometer a saúde dos consumidores e a sustentabilidade do negócio. Para garantir a saúde do plantel, a granja está estabelecida como unidade de produção primária, uma subunidade da cadeia de suprimentos do beneficiamento de ovos e carne de frango e, portanto, deve dispor de um plano de biossegurança que proteja a saúde do plantel e da produção.

2. Fundamentos da biossegurança na granja

A biossegurança na Granja Santa Joana se baseia em quatro princípios: prevenção, contenção, eliminação de riscos sanitários e responsabilidade compartilhada. Biossegurança é a aplicação desses princípios, enquanto biosseguridade é a condição resultante. Na granja, a biossegurança é a implementação das medidas que garantem a biosseguridade. Os benefícios esperados são a redução da incidência de doenças, a melhoria do bem-estar das aves e a confiança do consumidor.

As aves da Granja Santa Joana são criadas com todo o carinho, mas quando as doenças aparecem o sofrimento e o medo também chegam em dobro. Um surto de doença nas aves pode causar a morte desses animais, e a repercussão vai além deles. Os surtos podem afetar a saúde de pessoas que consomem os produtos, provocar perdas financeiras, gerar tensa vigilância sanitária e reduzir a confiança dos consumidores. Por isso, a prevenção é o melhor remédio. A aplicação das medidas de biossegurança protege as aves, a comunidade, a família e a própria granja.

3. Protocolos de higiene e controle de entradas

A biossegurança é a ciência que busca eliminar ou reduzir ao máximo os riscos sanitários que podem ameaçar a saúde dos animais e da população. O conceito de biosseguridade é mais abrangente e abrange a biossegurança, mas também se refere à bioestabilidade, que são as operações internas de uma propriedade. A principal diferença entre os dois conceitos é que a biossegurança envolve as paredes externas da propriedade, enquanto a bioestabilidade diz respeito ao que acontece dentro das cercas.

Os protocolos de higiene abordam a desinfecção de galpões, a limpeza de utensílios, a secagem de roupas e calçados, e a esterilização de máquinas e caminhões envolvidos na produção. O fluxo higiênico prevê a limpeza e a desinfecção de todos que entram nos galpões de produção, de fornecimento e de manutenção. Barreiras de entrada e de transição foram estabelecidas, assim como um controle rígido de visitas. Espera-se, com isso, que o fluxo de patógenos na granja esteja sob controle e que não ocorram surtos que coloquem em risco a saúde das aves e da população.

4. Vigilância sanitária, monitoramento e resposta a surtos

Para evitar e mitigar surtos de doenças, é essencial: 1. realizar vigilância ativa, que consiste na promoção da saúde e no bom manejo, além da monitorização de indicadores relacionados ao bem-estar e à saúde dos animais; 2. estabelecer indicadores que, quando alterados, justifiquem a implementação de um plano de ação específico; 3. seguir e aplicar, quando necessário, um plano pré-estabelecido que contemple ações de prevenção e contenção de surtos.

A detecção precoce de surtos depende da vigilância diária dos animais. Um protocolo de amostragem faz parte do plano de biossegurança e é definido com base nos indicadores estabelecidos, visando detectar precocemente qualquer alteração que possa levar a um surto. O plano de biossegurança define a frequência com que esses sinais devem ser acompanhados. O monitoramento em áreas de descanso deve ser diário, e um responsável deve ser designado para a verificação.

Os surtos sanitários são situações indesejadas, mas quando ocorrem, um protocolo de comunicação interna, externa e de cadeia de decisão deve ser seguido. Esse protocolo deve ter sido definido anteriormente, detalhando as informações que devem ser repassadas e os responsáveis por cada etapa. É importante também estar atento ao modo como o surto se comunica para que as abordagens sejam as mais adequadas.

5. Manejo de animais e cadeia de suprimentos

Para minimizar a introdução de riscos sanitários pela movimentação de animais e insumos, são adotadas medidas de manejo dos animais e da cadeia de suprimentos. Todos os animais recém-chegados são submetidos a um período de quarentena e os fluxos de entrada e saída da granja são controlados. A quarentena é uma das ferramentas mais importantes para a mitigação de riscos sanitários, uma vez que permite a observação dos novos lotes em busca de sinais de doenças. O espaço onde os animais estão em quarentena deve ser isolado, preferencialmente separado por uma barreira física. Neste espaço, o manejo de dejetos e a movimentação de pessoas e equipamentos devem ser feitos da forma mais cuidadosa possível, evitando a contaminação do restante da granja.

Os fluxos de entrada e saída de animais entre os diferentes galpões também são controlados, devendo ser rigorosamente seguidos os registros de entrada e saída da granja. As compras de animais são realizadas apenas de fornecedores confiáveis, evitando-se a aquisição de aves em mercados ou feiras. Os transportes dos lotes adquiridos são limpos e desinfetados, sempre que possível, e as instalações da granja de origem são sanitizadas antes da chegada do lote. A movimentação de animais entre as granjas de um mesmo grupo é feita de forma criteriosa, priorizando o fluxo "entrar sem sair".

6. Ambiente, alimentação e bem-estar das aves

A biossegurança é um conjunto de ações preventivas, planejadas e aplicadas em ambientes onde há a possibilidade de aparecimento ou disseminação de doenças, com o objetivo de evitar ou minimizar a introdução, o estabelecimento e a propagação de agentes patogênicos durante a criação de animais. O ambiente em que os animais estão inseridos pode influenciar diretamente a suas respostas fisiológicas e, consequentemente, o seu desempenho e o seu estado de saúde. Portanto, deve ser propenso ao bem-estar e à saúde das aves durante toda a sua vida.

O bem-estar, em termos sanitários, pode ser expresso como a ausência de estresse, dor e sofrimento. É importante proporcionar um ambiente que atenda às necessidades comportamentais das aves e que promova a sensação de conforto, segurança e tranquilidade. Dessa forma, a biossegurança deve garantir um microclima favorável à saúde das aves, um suprimento adequado e seguro de água e alimentos, um ambiente rico que estimule os comportamentos naturais, a adoção de técnicas de manejo que promovam o bem-estar e a saúde das aves e a minimização de situações que provoquem estresse.

7. Educação e participação da comunidade

Para que a biossegurança tenha um efeito positivo, é fundamental que a comunidade, que inclui principalmente os funcionários da granja, mas também os moradores da vizinhança, esteja bem informada e engajada. Assim, devem ser realizadas campanhas e treinamentos sobre os cuidados que devem ser tomados para evitar a introdução e a disseminação de doenças, como a gripe aviária. Essa difusão de conhecimento também permite que as pessoas tenham confiança nas informações que recebem e acreditem nos cuidados que estão sendo tomados. A confiança é um recurso importante na tomada de decisão e na comunicação de riscos.

As capacitações devem abordar informações sobre biossegurança, saúde e bem-estar animal, bem como riscos à saúde das pessoas que possam advir da criação de aves. Os treinamentos devem ser realizados periodicamente e o aprendizado, avaliado. Para que as campanhas e os treinamentos tenham um impacto ainda maior, é desejável que a comunidade participe da elaboração dos conteúdos e das ações. Além disso, a transparência nas informações e nas ações da granja aumenta a probabilidade de os moradores aceitarem a empresa e suas atividades como vizinha. Visitas educativas, com grupos pequenos ou grandes, e o ambiente aberto e disponível para esclarecimentos são estratégias que ajudam a promover esse engajamento.

8. Planos de contingência e comunicação

Os planos de contingência estabelecem fluxos de tomada de decisão e mensagens-chave a serem utilizados em situações de crise. Cenários de provável ocorrência, com a descrição das ações a serem realizadas, bem como os recursos disponíveis ou que devem ser solicitados, são descritos. A continuidade das atividades em situações críticas é planejada e, sempre que possível, simulada, com o objetivo de preparar e treinar as pessoas envolvidas.

O plano de comunicação é um documento que contém as mensagens a serem utilizadas durante uma crise, os públicos-alvo e os canais de comunicação. A linguagem e os conteúdos a serem utilizados na comunicação nas diferentes fases da crise também devem estar descritos nesse documento.

9. Inovação e tecnologias a favor da biossegurança

Na granja, como em qualquer atividade produtiva, a inovação é essencial para a competitividade, e não há razão para que a biossegurança fique alheia a esse movimento. As tecnologias e os processos inovadores a que a produção humana constantemente recorre têm o potencial de facilitar a prevenção, a contenção e a eliminação dos riscos sanitários. Mais do que isso, a implementação de inovação adequadamente planejada e gerida pode resultar em economias nos custos operacionais e na eventual diminuição de custos para o consumidor final. Dois pontos, entre outros, podem despertar a atenção nesse sentido: a automação e a utilização de sensores. A redução de mão de obra em uma atividade com a biosseguridade das granjas muitas vezes em foco é vista com desconfiança. No entanto, essa pode representar uma importante vantagem competitiva desde que os riscos envolvidos sejam corretamente considerados. Um ventilador, por exemplo, realiza uma tarefa repetitiva e especializada com muito maior eficiência do que qualquer ser humano.

Outro caminho são os sensores e a conectividade em rede: é cada vez mais comum e mais barata a utilização de sensores que permitem o monitoramento dos galpões, da alimentação, do consumo de água, do desempenho e da saúde dos animais em tempo real. Qualquer situação não usual gera um alerta que possibilita a investigação imediata. Detectar uma doença precoce ou um problema de qualidade na água que está passando despercebido pode salvar o lote em questão e manter a granja livre de doenças. A tecnologia de rastreabilidade aplicada a toda a cadeia de suprimentos e a todos os pontos da cadeia produtiva está se tornando quase uma exigência do consumidor. Quem consome produtos da agricultura ou da pecuária está cada vez mais preocupado com a forma como esses produtos foram produzidos, quais as consequências para o produtor, para o trabalhador, para os animais e para o meio ambiente, e quais os riscos associados à sua saúde e à saúde dos que dele dependem. É o consumidor que está exigindo que sejam apresentados dados que comprovem a biosseguridade, o respeito ao bem-estar animal, a segurança alimentar e a responsabilidade social e ambiental dos produtores.

10. Conclusão

Na Granja Santa Joana, a biossegurança está presente em toda a cadeia produtiva, com a realização de um conjunto de ações e medidas que juntas formam um sistema que reduz a introdução de doenças, evita a propagação de surtos e minimiza os efeitos de uma possível ocorrência. Além de proteger o rebanho, essa proteção se estende a todos os que têm contato com as aves, familiares e consumidores. Para garantir o sucesso da biossegurança, todos os envolvidos na produção, assim como a comunidade do entorno, devem se engajar e respeitar os cuidados estabelecidos e orientados.

A biossegurança, a bioestabilidade e o senso de responsabilidade coletiva andam juntos e são a chave para um futuro sem a preocupação de ter um surto de Influenza Aviária, Doença de Newcastle ou outras doenças com alto potencial de impacto nos animais, no ser humano e na sociedade. Coletivamente, seguindo os princípios e diretrizes da biossegurança, espera-se que haja uma redução na ocorrência de doenças, com impacto positivo no bem-estar das aves, na aceitação dos produtos e também nos lares de todos.

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